Não se preocupem com o título, não vou desapontar ninguém apologiando nada e nem vou sacrilegiar nenhuma crendice... Pelo contrário, vou tentar fazer um “merge” de Ciência e Religião, à medida do sempre e razoável possível.
Antes de qualquer passo nessa direção, uma contextualização é necessária. Como não tenho conhecimento de outras religiões, vou falar da que mais conheço, que é a mais popular e ao mesmo tempo, a mais polêmica: O CRISTIANISMO. Vamos deixar terminologias como Catolicismo, Protestantismo e outros para os Teólogos. Os dois pontos críticos que mais me interessam e que são aqueles que consigo encadear são: Jesus Cristo e Bíblia Sagrada. Vamos começar do mais simples para o mais complexo. A Bíblia.
O que vou dizer é um fato, não uma posição: A Bíblia nada mais é que um livro repleto de histórias (verídicas ou não) contadas, recontadas e escritas milhares de vezes. Disso todo o cético sabe, mas o que ninguém parece saber é que trata-se de um arquivo HISTORICAMENTE válido e tão rico em detalhes que nos assusta o fato de terem sido tão bem preservados durante tanto tempo. Outra coisa a saber: os trechos da Bíblia contam histórias e descrevem fatos sob pontos de vistas e, se ela tem mais ou menos 2000 anos, temos que imaginar quais eram os PONTOS DE VISTA a dois mil anos atrás.
O que era a DOENÇA? O PODER? A ENERGIA? O que eram o CÉU, as ESTRELAS e o SOL? O que eram as TEMPESTADES DEVASTADORAS, os FURACÕES, as CHUVAS DE METEORO e os TERREMOTOS? Existia um argumento científico para tudo isso? O que dizer, então, de um leproso, de um fotofóbico ou de um garotinho fransino tendo um terrível ataque epilético? Graças à Evolução, desde que nosso cérebro progrediu a ponto de criar CONSCIÊNCIA, cada fato CURIOSO mexe com nossa IMAGINAÇÃO. E é assim que as coisas se criam: FATO CURIOSO à CONSCIÊNCIA à IMAGINAÇÃO. Mas, como adquirimos MEMÓRIA, aprendemos que nem sempre nossa imaginação acerta a ponto de criar teorias, então resolvemos gerar o FILTRO da Ciência, que deveria filtrar os erros e permeabilizar a repetição e a consistência dos fatos.
Porém nem sempre foi assim. Nossas religiões foram corrompidas e nossa ciência fora alvo dos mesmos males destrutivos. Para provar, preciso fazê-los lembrar que a Bíblia foi construída em um Velho e um Novo Testamento. Falando do Velho, me arrisco em dizer que trata-se de nada mais e nada menos que histórias e crendices de um povo sem o conhecimento de ciência que temos hoje. Pra quem realmente lê a Bíblia e tem qualquer discernimento científico, é fácil perceber que a EXPLICAÇÃO dos fatos era desconhecida naquela época, mas os FATOS em si brincavam com a imaginação de nossos antepassados da mesma forma que brincam com a nossa nos dias de hoje. Daí surgiram hipóteses para as origens, tais como a Criação do Mundo em 7 Dias, Adão e Eva, etc... Surgiram interpretações para fatos históricos, como o Dilúvio, A Travessia do Mar Vermelho, etc... E surgiram, também, as interpretações para aquilo que SENTIMOS e que não podemos explicar.
Claro que não sou adepto ao desenrolar fervoroso desses raciocínios bíblicos, simplesmente porque HOJE entendemos coisas que antes eram obscuras, como por exemplo, hoje temos Darwin, fósseis e artefatos para explicar nossas origens, em detrimento do conto de Adão e Eva. Todavia, o objetivo desse meu texto é JUNTAR e não separar. Mesmo sabendo que Adão e Eva jamais existiram da forma como é contado na Bíblia, percebemos que o raciocínio desses Profetas não estava de todo errado. De fato, surgimos de um ÚNICO casal, todos nós, Homo sapiens, assim como uma nova variedade de batata surge do cruzamento de dois parentais diferentes.
Tudo tem um início! Até quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, já foi provado! A galinha é uma espécie, Gallus gallus, que veio do cruzamento de duas outras espécies e assim se provou que quem veio primeiro foi o OVO. Percebem como o raciocínio dos nossos antepassados não estava errado? Só não tinham conhecimento suficiente para saber que viemos de animais menos desenvolvidos, que não nascemos como somos, mas O FATO é imutável. SURGIMOS DE ALGUM LUGAR, EM ALGUM INÍCIO. E assim aconteceu com tudo o que existe, e para cada explicação bíblica, temos uma científica na qual o processo é diferente, mas o fato original é o mesmo. Quer ver só?
Vamos entrar no assunto que dá título a esse texto: SÍNDROMES. Se partirmos da idéia que o Arquivo 1 nos dá sobre sentimentos, não há como negar que foram ELES que mudaram nossa história e nossa maneira de viver. Se são divinos ou não, pouco importa. O FATO É: Eles existiram, existem e existirão, e mudaram, mudam e muradão nossa forma de viver. Como prometido no Arquivo 1, introduzirei o que penso sobre essas SÍNDROMES e como elas surgem ao excesso de nossos instintos.
Nossos sentimentos não só evoluíram de instintos “bons”, como também puderam evoluir de instintos “ruins”. Cabe salientar que, aqui, “bom e ruim” são terminologias humanas, pouco interferindo na sistemática à qual esses fatores obedecem. Mas o que eram os SETE PECADOS CAPITAIS, por exemplo? Se queremos entremear religião e ciência, é possível encontrar um “laço” em comum entre isso e aquilo? Acredito que sim.
Analisando os Sete Pecados Capitais, reparem: são sempre EXCESSOS que, pela análise JÁ crítica dos nossos antepassados, eram responsáveis pela “desgraça humana”. Cair em desgraça, cientificamente, seria algo não-muito-seletivo. Ninguém quer casar e ter filhos com um homem ou mulher que “caiu em desgraça”. Portanto, em uma simples regra de três, PECADOS são SÍNDROMES. E se os Sentimentos são APRIMORAÇÕES, as Síndromes são EXCESSOS dos nossos próprios instintos, dilacerações que arrebentaram-se do cerne equilibrado e criaram um ambiente de inconstância, uma forma de CRIAR um obstáculo invisível (já que os visíveis já não nos incomodavam) para uma espécie que, apesar de dominante, PRECISAVA CONTINUAR EVOLUINDO.
Veja como faz sentido se realmente analisarmos cada pecado:
GULA:- comer mais do que se precisa. Evolutivamente explicável, já que adquirimos genes que nos faziam comer mais do que a fome permitia, assim teríamos energia “sobrando ” para quando nos deparássemos com situações de risco (como energia para a fuga). No entanto, esse “comer mais” tornou-se descontrolado e desnecessário, caracterizando uma SÍNDROME, um EXCESSO, algo egoísta. Muitos PROBLEMAS DE SAÚDE, como diabetes e colesterol, vieram desse descontrole.
INVEJA:- querer o que é dos outros. Evolutivamente, querer o que ainda não se tinha era uma forma de conquista. Nunca nos dávamos por satisfeitos com o que tínhamos, e isso nos tornava competitivos enquanto indivíduos lutando pela sobrevivência. Querer uma lança afiada como a do companheiro era uma forma evolutiva de fazer com que mexêssemos nossos membros para termos lanças sempre cada vez melhores e caçar com cada vez mais eficiência (evoluir)... Mas a Inveja vai além. Ela cai num desequilíbrio que não significa apenas tentar superar, mas também REBAIXAR, se preciso. Um EXCESSO, uma SÍNDROME. Daqui surgiu a TRAPAÇA e a DESONESTIDADE.
GANÂNCIA:- querer o máximo possível. Evolutivamente, ter o máximo de coisas de um mesmo tipo é ter poder. Aos nossos ancestrais, os que tinham muita comida guardada não precisavam se preocupar com invernos rigorosos, secas ou pragas. Ter muitas roupas criava a possibilidade de troca, ao mesmo tempo que posicionava alguém acima ou abaixo de outrém. A Ganância é o cúmulo disso. Ela faz com que se acumule até o inacumulável, a ponto de criar tanta sanha pelo quantidade que a utilização daquilo pouco importaria. Mais um anti-senso, mais uma SÍNDROME. Daqui surgiu o ROUBO e a CLEPTOMANIA, por exemplo.
IRA:- perder a razão. Isso existe desde muito antes de qualquer comportamento humano, era instintivo e costumava ser evolutivamente útil. Perder a razão muitas vezes era tudo o que nossos “mili-avós” precisavam para ganhar uma luta ou matar um javali, uma explosão que vinha e logo depois ia embora. Mas a Ira vem como a parte inútil desse instinto, que é a maldade e o abuso. A Ira tornou-se um comportamento agressivo e duradouro, algo não só explosivo como corrosivo. Um EXCESSO perigoso e anti-social. Podemos enquadrar aqui os HOMICÍDIOS, a VINGANÇA e o ÓDIO.
VAIDADE:- destacar-se acima dos demais. Nada mais evolutivo que a necessidade de APARECER. Um exemplo clássico: o pavão. Assim como o pavão, nossa espécie redesenhou seu próprio destino selecionando o que havia de MELHOR em cada um de nós, para que fosse escolhido (trabalho das fêmeas) e passado adiante. Mas é claro que isso era genético e para tanto, os apetrechos eram físicos ou emocionais. A Vaidade não tem nada de genético. Trata-se de uma extrapolação da necessidade de ser selecionado, é um desequilíbrio que fez com que a humanidade desse real valor ao que pudesse ser ESCONDIDO, ao invés de mostrado. A Vaidade é a necessidade de, inversamente à sua origem, aparentar algo que NÃO SOMOS, um total desequilíbrio. Surgiu a moda ditatória, a ANOREXIA, a BULIMIA e a DISMORFIA CORPORAL.
PREGUIÇA:- realizar o mínimo de esforço. Extremamente positivo se pensarmos nos caminhos evolutivos que tomamos. Para os Homo erectus, quem menos se mexia, mais energia tinha, mais chances tinha de sobreviver à uma epidemia ou coisa do tipo. Quem se mexia mais, encontrava mais chance de se machucar (infecções), se perder, ser visto e predado, etc... A Preguiça vem como a sobredose da idéia de se poupar energia e criou a idéia de NÃO SE GASTAR ENERGIA. A Preguiça nos torna indiferentes ao que acontece ao nosso redor e conformados com todas as situações. Nos torna incapazes de agir e de continuar criando mudanças. Uma síndrome em uma espécie que não precisa mais se desenvolver para sobreviver. Daqui surgiram a DEPRESSÃO e o ÓSCIO.
LUXÚRIA:- apetite sexual sem períodos. Esse foi o grande trunfo reprodutivo da humanidade. Enquanto os outros animais esperavam pelo cio das fêmeas e pelo período fértil dos machos, nós aprendemos que fazer sexo era “gostoso” e tornou-se geneticamente possível a qualquer instante, e isso nos incentivava a ter mais e mais filhos, povoando o mundo de seres humanos. A LUXÚRIA é o descontrole desse instinto. É a NECESSIDADE de ser fazer sexo, é o SEXO acima da consciência, da dignidade e do respeito. Dessa síndrome, surgiram o ESTUPRO, a PEDOFILIA, o ABORTO e as ABERRAÇÕES SEXUAIS.
Observem a quantidade de disfunções que esses “pecados” trouxeram à nossa espécie! Como uma coloração preta na pele, tornamo-nos mais frágeis com tais síndromes. E não para por aí, se combinarmos esses “pecados” entre eles, teremos muito mais cataclismas. A obesidade surge da GULA e da PREGUIÇA em conjunto. A GANÂNCIA e a INVEJA criaram os abismos sociais. Quantas outras disfunções evolutivas você pode criar a partir desses “Sete Pecados”? Viu como nem sempre a religião e a ciência devem ficar apartadas? Aliás, NUNCA DEVEM, pois a religião é uma forma de interpretar os fatos que muitas vezes podem nos ajudar a entender o porquê de certos comportamentos. Temos lutado contra essas síndromes por milhares de anos, o que não é NADA se pensarmos no tempo que leva a evolução para destruir genes como esse. Mas veja como nossos ancestrais já os abominavam? De uma forma religiosa, eles seguiram os passos corretos: CONDENARAM OS PECADOS, tentaram colaborar para que esses excessos fossem exterminados. Daí criamos a ciência que tudo explica, e a colocamos à serviço do DINHEIRO, que nada mais é que um delírio da GANÂNCIA. E aquilo que JESUS sempre tentou destruir, que é o EGOÍSMO presente em cada uma dessas síndromes, continua livre e solto entre os genes de nossa população, pois adquirimos o péssimo hábito de “não nos envolver”, porque somos INTELECTUAIS DEMAIS para acreditar em Jesus e em sua luta contra esse egoísmo nojento.
Mais deixemos Jesus e o Novo Testamento para um arquivo ESPECIAL (Arquivo 5). Por hoje, ficaria feliz e satisfeito em saber que ao menos UM ateu olhará a Bíblia com olhos menos céticos e ao menos UM crente olhará a Evolução com olhos menos ignorantes. Não precisamos e não DEVEMOS separar religião de ciência se estamos mesmo preocupados em COMPREENDER O UNIVERSO. Tudo faz parte de um processo e se as Igrejas erraram a Ciência também errou. Taí algo que de fato temos que entender, pois ambas estão sob o poder humano e, se somos críticos e livre-pensadores, devemos nos conformar com o fato de que somos uma espécie em desequilíbrio e dada às síndromes tão frágil e distraidamente como as lagartas curuquerês (Arquivo 1), que mudam de cor e sequer sabem o porquê. Por hora, usaria um exemplo bastante religioso, mas que, nesse momento, faz muito sentido pra mim: ESTAMOS VIVENDO EM PECADO.
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