terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Arquivo 4 -- EQUILÍBRIO

Quando se compreende os princípios que a Ciência coordena em nossas vidas, é fácil ver que somos uma matemática muito além de qualquer simplicidade religiosa. Somos mais que barro e costelas, mais que 7 dias de criação, mais que pecados, louvores e sacrifícios. Somos um produto de um Deus que não tem dois olhos, uma boca, duas mãos e que não precisa descansar nos fins de semana, porque isso é um conceito nosso.

Nosso Deus não é concreto e nem se coloca sob um limite físico. E sim um ser abrangente, não individual, onipresente e onisciente porque reside em tudo o que cria e utiliza ENERGIA. Nosso Deus não têm uma consciência do Bem e do Mal, não julga, não vive no céu, não castiga e não presenteia. No entanto, num processo físico ainda incompreendido, porém já hipotetizado, usa-se da Lei de Ação e Reação para nos trazer boas energias quando nos alimentamos dela e de nos devolver energias negativas, quando é disso que nos utilizamos. Deus não toca, não guia, não provém, não tira, não mexe por aqui, pois foi criado um sistema intermitente, vasto e auto-sustentável. A EVOLUÇÃO e a perfeição como ela serpenteia vagarozamente sobre seus trilhos criados a bilhões de anos é a maior prova da existência de um Deus quântico e vasto, e que banal seria imaginá-lo brincando com a gente, se o Universo é tão vasto e tão quântico quanto o seu próprio criador.

A Evolução criou seus elétrons, que criaram suas conjunções atômicas, logo após moleculares, que se organizaram em células simples e depois complexas, que por sua vez se reuniram em tecidos simples de depois complexos, que se auto-selecionaram quando os mais adaptados perpetuaram-se em nossa atmosfera e evoluíram como organismos. Organismos estes que se moldaram a cada processo de nossa atmosfera e num passo lento rumo à complexidade, geraram seres que foram capazes de querer compreender tudo ao seu redor, que não se contentaram em apenas EXISTIR e CO-EXISTIR, mas também quiseram saber o POR QUÊ de cada existência. Os simples átomos do início, meros corpos energéticos, evoluíram e se tornaram CONSCIÊNCIA dentro de nós. Seria cético dizer que tudo é assim, tão procedimentoso, mas DEUS é um procedimento ao mesmo tempo que é um processador. E o maior milagre disso não é a rapidez com que criou, é exatamente a lentidão e o caminhar sempre POSITIVO que essa criação toma com o passar dos milênios que torna esse Deus tão imenso e conjuntural.

Poucas pessoas passaram pela Terra compreendendo um pouco mais sobre esse Deus. Tentaram passar mensagens que foram destorcidas, mal-interpretadas, ou mesmo facilitadas para que fossem absorvidas pelos povos mais humildes. Jesus trouxe-nos a FÉ, que nada mais é que o poder de atrair as boas energias para aquilo que queremos. “A tua FÉ te curou...”. Falou ao povo sobre o Bem e o Mal, não como Lei de um Deus humano, mas sim como a Lei de um Deus que criou um sistema energético com um feedback positivo. Falou em parábolas para que o povo entendesse, disse sobre estar sentado à direita do Pai, não querendo dizer que estaria sentado em uma cadeira, no céu, do lado direito de Deus (cadeiras são criações humanas). Quis dizer que no abandono do corpo biológico, a consciência se espalha pelo Universo e vivemos uma existência não-vital, compartilhando com o organismo criador do Universo a mesma atmosfera e a mesma existência energética ampla e quântica. Buddha trouxe-nos o valor da interioridade, da compreensão do espírito, não querendo dizer que temos em nós um segundo EU, mas sim que é possível entrar em contato com a energia que se destacou da mera existência biológica para tornar-se parte de um Universo que pode ser explicado, e não simplesmente vivido. Nos ensinou o valor dos pensamentos como forma de entrar em contato com esse Universo pulsante, e nos falou sobre a re-encarnação não querendo dizer que nossa consciência viaja de um corpo a outro, mas SIM que nossa energia pode ser reaproveitada pelo sistema para compôr novas formas de existência, seja biológica (re-encarnação?) ou não (anjos?). Muitos outros vieram e falaram coisas que ainda hoje são proferidas, e funcionam de formas diferentes para pessoas diferentes. Porém o princípio permanece o mesmo: SOMOS VIDA E ENERGIA, e estamos num estágio evoluído dessa existência.

Já é uma tendência pragmática que a dominância causa certos surtos de adaptação e desequilíbrios. Afinal, o que DOMINA está fora de equilíbrio, pois se considerarmos que EQUILÍBRIO significa IGUALDADE, DOMÍNIO significa DIFERENÇA. Somos seres dominantes e criadores de síndromes existenciais. Num ato destrutivo, que é o processo de re-equilíbrio, destruímos a própria atmosfera em que vivemos, tão insanamente quanto um pássaro que destrói seu próprio ninho ou um peixe que pula para fora d’água. Nosso domínio nos trouxe excessos, que foram considerados pecados antigamente, mas que vieram de sensações simples (já explicados nos Arquivos anteriores. TODOS OS GERADORES de cada excesso humano foram importantes para a Evolução de nossa espécie, pois selecionaram os melhores genes, todavia a nossa dominância super-processou esses genes e nos tornou pedaços de engrenagens sem controle e sem ponderação. Somos um relógio que trabalha sem um sentido evolutivo PERTINENTE, pois mudamos as NOSSAS leis de conduta, esquecendo-nos que a Natureza não mudou as Leis que regem o restante da vida no planeta.

Podemos continuar fingindo que temos o controle de tudo, que somos capazes de gerar mudanças que nos façam perpetuar sobre todas as penúrias, mas um ovo fisicamente não pára no ar quando o ninho se desfaz e um peixe não cria pulmões mais potentes quando está fora d’água. O processo contínuo de destruição de nosso próprio “ninho” pode ser uma forma de controle que tende ao equilíbrio... E ouso dizer que, pensando como um ser abrangente, isso faz sentido e é bom para o Universo. Somos pedaços de um TODO, e não O TODO, porém nos comportamos como o TODO do qual fazemos parte. Ridículo, não? E no momento, esse pedaço que somos é um câncer que eu gostaria de não fazer parte, pois todo câncer é um descontrole que afeta NEGATIVAMENTE um sistema, destruindo-o de dentro para fora. Que bom seria se todos pudéssemos evoluir para a simbiose e deixássemos de ser parasitas destruidores da nossa própria fonte de alimento e subsitência! Que bom seria se os SENTIMENTOS (evolução das BOAS sensações humanas) superassem os PECADOS (distúrbios e excessos da necessidade humana) e que maravilhoso seria se usássemos nossa CONSCIÊNCIA para mensurar, ponderar e compreender, INTELIGENTEMENTE, o verdadeiro sentido do nosso viver, a verdadeira grandeza do que somos, e admitíssimos todos os nossos erros, sem medo de perder o desnecessário (+) e viver somente com o necessário (=)... Claro que isso é uma utopia que não vamos vivenciar, pois nossa espécie está DESCONTROLADA (se quisesse ser mais incisivo, diria que é o PRÓPRIO DESCONTROLE).

Essas mudanças não começam pontualmente, porque aquela história do beija-flor levando a água no bico para apagar o fogo é muito bonita, mas não resolve se TODOS não se conscientizarem de que aquilo é apenas um EXEMPLO para que haja mobilização geral. A água do beija-flor não apagou o fogo, mas talvez o exemplo dele tenha feito com que todos aderissem à sua atitude. Será que isso acontece com a nossa espécie? Tenho visto em filmes, mas as pessoas continuam vivendo estupidamente, e a Natureza vai precisar dessa estupidez para nos expelir e retomar o EQUILÍBRIO, que é, duplamente, o ponto de retorno de todos os processos existenciais (tudo tende ao Equilíbrio) e o verdadeiro centro de toda a Evolução.

Mas quem sou eu pra dizer ou argumentar? Até agora, não dei nem o exemplo e nem iniciei um processo... Vergonha muito maior que NÃO SABER e errar pela IGNORÂNCIA é SABER e errar pela NEGLIGÊNCIA. Mas quero mudar... Um dia, quem sabe, eu tomo coragem e levo ao fogo o pouco de água da parte que me cabe. =)

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