“A origem molecular do que somos é simples. A progressão, a organização e a perfeição no arranjamento dessas origens é que são complicadas.”
Esse é o Princípio da EXISTÊNCIA. Ou pelo menos, da existência de TUDO aquilo que conhecemos, e que se enquadra dentro dos nossos padrões de realidade e racionalidade. A EXISTÊNCIA nada mais é que a ORGANIZAÇÃO (ora simples, ora complicada) de pré-fatores que, no seu íntimo mais íntimo, são idênticos e imutáveis: ENERGIA.
Se fizermos o “rebubinar” da origem de uma vida humana em um passo-a-passo conjectural, desceremos a seguinte cascata: Um ser humano é um conjunto de ÓRGÃOS. Órgãos são TECIDOS modificados. Tecidos são CÉLULAS diferenciadas. Células são ORGANELAS, que são PROTEÍNAS, que são MOLÉCULAS, que são ÁTOMOS, que são E-N-E-R-G-I-A.
Faça o mesmo rebubinar com qualquer coisa que exista. À exemplo, usemos uma PEDRA, que é uma formação de ROCHA, que é um conjunto de MINÉRIOS, que são um arranjo de MOLÉCULAS, que, no fim, serão também ÁTOMOS e E-N-E-R-G-I-A.
O que define todo o tipo de relação interbiológica é a MANEIRA SOFISTICADA em que essa energia se organiza. Promovendo nosso pensamento a níveis mais acima, a organização MOLECULAR é o que corrobora para com a complexidade da VIDA. Moléculas podem se organizar epistaticamente, formando estruturas complexas, como o DNA, RNA, ribossomos e mitocôndrias. Essas estruturas promovem a produção de proteínas, enzimas e outros pré-requisitos básicos para o funcionamento da BIO-MÁQUINA. Como uma construção civil, cada célula de um corpo vivo possui seus operários, trabalhando ininterruptamente na construção de estruturas simples, que se juntam para formar outras mais complexas, a partir de matéria-prima básica. Agem assim como faz um operário ao imendar ferro em ferro, amalgamar cimento e água, empilhar tijolos e trançar vigas...
Entremeando o raciocínio, se toda a estrutura vital é a MESMA, como poderíamos nós, seres humanos, termos tomado uma via evolutiva tão distinta? Somos o que há de mais sofisticado no que diz respeito à biologia conhecível e somos os únicos seres vivos (conhecidos) capazes de ter esse senso crítico e conhecimento construtivista. POR QUE somos os únicos, e por que chegamos até isso sozinhos?
Partindo da premissa comunal, somos carne e osso. Temos os mesmos estratagemas vitais que nossos parentes mamíferos, tais como coração de 4 cavidades, dois pulmões que filtram o ar que respiramos e dão ao sangue oxigênio. Temos rins, fígado, glândulas mamárias, pênis e vagina, espermatozóides e óvulos... Nada disso parece muito diferente ao compararmos um ser humano e um leão. No entanto, somos fenotipicamente diferentes, o que nos leva a crer que alguns genes não estão em conformidade. Mas se pensarmos um pouco mais, saindo pela tangente diferencial, temos curiosidade, memória, inteligência, raciocínio lógico, criatividade, senso de descoberta, inconformismo intelectual, pensamento clínico e crítico... Isso tudo está, como já sabido, ligado a um único sistema de nossa formação. O SISTEMA NERVOSO. Nosso cérebro é a fonte de quase toda a diferença que nos transforma em seres dominantes, racionais e controladores (?) do ambiente em que vivemos. Se nosso fenótipo denuncia diferença e nossos comportamentos também, concluímos que o ambiente, em conjunto com o genótipo de nossa espécie, trouxe a grande cisão existencial da MENTE HUMANA.
Vamos entrar um pouco mais no mérito neurológico da questão. Um cérebro de um leão macho é composto de mecanismos complexos, evolutivamente selecionados para padrões simples de sobrevivência: PROTEGER A PRÓPRIA VIDA, PROTEGER A PROLE, PROTEGER O BANDO, ESPALHAR A MAIOR QUANTIDADE POSSÍVEL DE SEUS GENES ACASALANDO COM O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE FÊMEAS. Para as fêmeas: PROTEGER A PRÓPRIA VIDA, PROTEGER A PROLE, ALIMENTAR O BANDO, SELECIONAR OS MELHORES MACHOS (após batalha) E DAR-LHES A MAIOR QUANTIDADE DE SEUS GENES, ACASALANDO-SE SEMPRE COM OS MAIS FORTES. O macho é o fator QUANTITATIVO e a fêmea, QUALITATIVO. O macho espalha seus genes, a fêmea seleciona os melhores genes. Desse modo, é fácil perceber que sem esse tipo de “pensamento”, os leões estariam extintos hoje (pense nisso).
Chamamos isso de INSTINTO, mas de onde vieram? Instintos são grupos de SENSAÇÕES que evoluíram a partir dos SENTIDOS (visão, audição, paladar, tato e olfato). Todos os sentidos de um leão corroboram para a sua sobrevivência. Ele pode escutar o perigo chegando e fugir. Pode cheirar a presa e preparar o ataque. Pode correr e agarrar uma vítima, pode degustar sua carne e obter energia para sobreviver por mais um dia. Pode sentir o odor do cio da fêmea... Mas sentidos por sentidos não definem COMPORTAMENTOS. É preciso que esses sentidos, assim como cimento e água formam a massa, se juntem em estruturas mais complexas e definam uma terceira função: SENSAÇÕES. Quando o cheiro do cio de uma fêmea alcança o olfato de um leão macho, seu organismo responde enviando sinais ao cérebro que provocam no leão uma SENSAÇÃO. A resposta física e externa à essa efervescência química cerebral é o sinal de resposta para que ele tome uma atitude. INSTINTO. A fêmea, quando tem seus bebês, pode entendê-los através de seus ruídos. Quando a fêmea escuta seu filhote chorar em tom de alerta, de maneira similar, porém por mecanismos diferentes, seu organismo também responde enviando sinais ao cérebro que provocam na leoa uma SENSAÇÃO. Novamente, a resposta física e externa à essa efervescência química cerebral é o sinal de resposta para que ela tome uma atitude: INSTINTO.
Quando falamos de seres humanos, todo esse processo e outros processos similares são mimetisticamente observados. O instinto materno continua presente e o apetite sexual continua valendo para excitar um homem da mesma forma que acontecia na época das cavernas. O instinto de fuga, o apetite sexual em prol da reprodução, o medo da morte, a fome como instigadora da busca por nutrientes e energia, o cansaço físico e todos os prelúdios de sobrevivência se mantém. Todavia, ainda encontramos aqui e ali certas diferenças que saltam aos olhos. Indecorosamente, alguns dos nossos instintos foram extrapolados para toda uma vida, excessos que não são tão compreensíveis do ponto de vista EVOLUTIVO, mas têm uma origem identificável. Para o instinto materno, que deveria servir ao propósito de proteger um filho enquanto ele ainda dependesse de sua mãe para sobreviver, temos o AMOR materno, que não deixa a mente de nossas mães mesmo quando estão próximas da morte. Para o instinto sexual, que deveria cuidar de reabastecer nossa contagem de indivíduos de forma competitiva em nosso habitat, temos o DESEJO sexual, que muito pouco tem a ver com procriação (tente introduzir aqui um pensamento do porquê usamos CAMISINHA). Para a necessidade de nos alimentarmos a fim de manter nossos níveis glicêmicos e protéicos em conformidade com nossas demandas, temos a GULA pela comida, que é responsável por muitas doenças extremamente anti-evolutivas, como diabetes, obesidade, trigliceres e colesterol. Todas esses EXCESSOS vão além da compreensão evolutiva dos INSTINTOS, e cabem a eles um nome que denote um itinerário terminando em erro, como uma engrenagem que foi polida demais e espanou: SÍNDROME DO INSTABILIDADE POPULACIONAL (Arquivo 4).
Vamos deixar o papo da Síndrome para o Arquivo 4, e vamos falar do que viemos falar, em específico. SENTIMENTOS. Alguns poderiam pensar que sentimentos também são excessos e que poderíam ser encaixados como SÍNDROMES, já que não existe qualquer razão evolutiva para ficarmos com o mesmo parceiro durante toda a vida, cuidar de nossos filhos quando eles não precisam mais de nossos cuidados, mandar flores no Dia das Mães ou mesmo comprar celulares nas promoções de Dia dos Pais.
O que me faz rejeitar a hipótese de que os Sentimentos sejam SÍNDROMES DE INSTABILIDADE é a forma totalmente dominante no qual eles agem em nosso organismo. Muitas vezes são SIM instáveis e nos fazem cometer loucuras, o que poderia me levar a crer que esses sentimentos, um dia, foram síndromes. No entanto, quem poderia negar aquele sentimento forte e gostoso de saudades quando estamos longe de nossos familiares? Quem poderia dizer que aquele filme romântico lhe deu um frio no estômago por obra de um acaso ou de uma mera sensação? Por que começamos a cantar e por que as músicas, que falam tanto de sentimentos, nos tocam tão profundamente? Por que amamos? Por que nos mantemos conectados?
Acredito que para todo o COMPORTAMENTO, existe uma explicação evolutiva. Enquanto as SÍNDROMES são negativas e tentam nos prejudicar, colocando nossa espécie novamente em equilíbrio (ver comentário sobre o curuquerê, Arquivo 1), os SENTIMENTOS são a contra-mão. Têm a mesma origem, mas estão na direção oposta. O excesso de um sentimento poderia ser uma síndrome assim como uma dose alta de adrenalina no sangue poderia ser mortal, ao invés de prazerosa. O ponto no qual gostaria de chegar é: OS SENTIMENTOS PROMOVEM, HOJE, O CAMINHO DE NOSSA EVOLUÇÃO. São nos SENTIMENTOS que nos diferenciamos dos leões! Foi por AMAR seus filhos que nossos antepassados resolveram construir casas para morar, ao invés de serem nômades, afinal de contas, o caminhar apresentava muitos perigos e eles não queriam perder sua esposa e filhos nessa empreitada. Foi por AMOR que pararam de caçar para criar os próprios animais, pois cada caça era um perigo de morte contra o desejo que tinham de voltar pra casa e ver sua família no final do dia. Deixaram de coletar para plantar, pois assim não precisariam abandonar seu novo lar. Imagine quantas mudanças esses sentimentos nos obrigaram a trazer à tona? Ao juntarmos isso à nossa capacidade de memória, criatividade, curiosidade, auto-crítica, lógica e raciocínio de procedimento, percebemos que fomos evoluíndo nessa linha adversa como peixes que nadam contra a correnteza.
Colocando em termos simples, gosto sempre de criar uma LINHA de pensamento. E aqui vai uma tentativa. Enquanto os leões (nosso exemplo de comparação) seguiram uma evolução neural que segue a linha: SENTIDOS – SENSAÇÕES – INSTINTOS, nós, seres humanos, fomos um pouco além, e esse passo a mais foi o passo da grande escapada: SENTIDOS – SENSAÇÕES – INSTINTOS – SENTIMENTOS. Tudo o que fazemos que nos diferencia dos nossos mais próximos parentes evolutivos, está direta ou indiretamente ligado a um SENTIMENTO. Parem pra pensar. Pensem em tudo o que somos e o motivo mais cabível pelo qual somos dessa maneira... Não chegou a algum sentimento? Aposto que sim.
Pensando um pouco mais empiricamente, acredito que os Sentimentos não sejam uma Síndrome porque nos UNEM e nos fazem cada vez mais INTER-DEPENDENTES. O egoísmo tornou-se uma resposta ou um reflexo para essa dependência, mas trata-se também de uma reação brusca que é natural ao se ter uma ação igualmente brusca. Os excessos, que são as síndromes, são os PECADOS CAPITAIS que a Bíblia tanto fala, e que são tão mal-interpretados. Não passam de grandes reações às ações impactantes dos sentimentos. Excessos, quebras, aberrações... Essas síndromes são nossos pontos mais fracos, o desequilíbrio criado em busca de uma maneira de se re-equilíbrar o sistema. Um balanço. O chamado ao “predador” (Arquivo 3).
Sentimentos são “processos” (vamos chamar assim) que nos colocam a mercê de nós mesmos. São duradouros e determinantes em nossas decisões. São inspiração e desastre, impulso e desânimo, alegria e depressão. Mas são acontecimentos que nos tocam de uma forma quase mágica, que só não é realmente MÁGICA porque conhecemos a ciência dos fatos. Mas, mesmo assim, são esses sentimentos que nos unem em um mesmo cerne em qualquer parte do mundo. São eles que nos colocam iguais como espécie, independentemente das síndromes que nos colocam escravos do DINHEIRO e de seu pseudo-PODER. E, quando estudamos, sabemos que todos os organismos vivos evoluem para a SIMBIOSE, que nada mais é que, segundo o Wikipédia, “uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos”. Não seriam, então, os sentimentos, uma forma de evoluírmos para a SIMBIOSE? Afinal de contas, todos já estamos percebendo isso. Está na mídia, nas religiões, nas filosofias, até mesmo nas gangues mais perigosas! Está acontecendo em todo o lugar e posso reforçar minha teoria, exemplicar o que eu disse e fechar o raciocínio, com nada mais nada menos que essa citação de um episódio de Heroes, algo da mais fina video-literatura popular: “We are all conected”.
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