sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Arquivo 3 -- SÍNDROMES

Não se preocupem com o título, não vou desapontar ninguém apologiando nada e nem vou sacrilegiar nenhuma crendice... Pelo contrário, vou tentar fazer um “merge” de Ciência e Religião, à medida do sempre e razoável possível.

Antes de qualquer passo nessa direção, uma contextualização é necessária. Como não tenho conhecimento de outras religiões, vou falar da que mais conheço, que é a mais popular e ao mesmo tempo, a mais polêmica: O CRISTIANISMO. Vamos deixar terminologias como Catolicismo, Protestantismo e outros para os Teólogos. Os dois pontos críticos que mais me interessam e que são aqueles que consigo encadear são: Jesus Cristo e Bíblia Sagrada. Vamos começar do mais simples para o mais complexo. A Bíblia.

O que vou dizer é um fato, não uma posição: A Bíblia nada mais é que um livro repleto de histórias (verídicas ou não) contadas, recontadas e escritas milhares de vezes. Disso todo o cético sabe, mas o que ninguém parece saber é que trata-se de um arquivo HISTORICAMENTE válido e tão rico em detalhes que nos assusta o fato de terem sido tão bem preservados durante tanto tempo. Outra coisa a saber: os trechos da Bíblia contam histórias e descrevem fatos sob pontos de vistas e, se ela tem mais ou menos 2000 anos, temos que imaginar quais eram os PONTOS DE VISTA a dois mil anos atrás.

O que era a DOENÇA? O PODER? A ENERGIA? O que eram o CÉU, as ESTRELAS e o SOL? O que eram as TEMPESTADES DEVASTADORAS, os FURACÕES, as CHUVAS DE METEORO e os TERREMOTOS? Existia um argumento científico para tudo isso? O que dizer, então, de um leproso, de um fotofóbico ou de um garotinho fransino tendo um terrível ataque epilético? Graças à Evolução, desde que nosso cérebro progrediu a ponto de criar CONSCIÊNCIA, cada fato CURIOSO mexe com nossa IMAGINAÇÃO. E é assim que as coisas se criam: FATO CURIOSO à CONSCIÊNCIA à IMAGINAÇÃO. Mas, como adquirimos MEMÓRIA, aprendemos que nem sempre nossa imaginação acerta a ponto de criar teorias, então resolvemos gerar o FILTRO da Ciência, que deveria filtrar os erros e permeabilizar a repetição e a consistência dos fatos.

Porém nem sempre foi assim. Nossas religiões foram corrompidas e nossa ciência fora alvo dos mesmos males destrutivos. Para provar, preciso fazê-los lembrar que a Bíblia foi construída em um Velho e um Novo Testamento. Falando do Velho, me arrisco em dizer que trata-se de nada mais e nada menos que histórias e crendices de um povo sem o conhecimento de ciência que temos hoje. Pra quem realmente lê a Bíblia e tem qualquer discernimento científico, é fácil perceber que a EXPLICAÇÃO dos fatos era desconhecida naquela época, mas os FATOS em si brincavam com a imaginação de nossos antepassados da mesma forma que brincam com a nossa nos dias de hoje. Daí surgiram hipóteses para as origens, tais como a Criação do Mundo em 7 Dias, Adão e Eva, etc... Surgiram interpretações para fatos históricos, como o Dilúvio, A Travessia do Mar Vermelho, etc... E surgiram, também, as interpretações para aquilo que SENTIMOS e que não podemos explicar.

Claro que não sou adepto ao desenrolar fervoroso desses raciocínios bíblicos, simplesmente porque HOJE entendemos coisas que antes eram obscuras, como por exemplo, hoje temos Darwin, fósseis e artefatos para explicar nossas origens, em detrimento do conto de Adão e Eva. Todavia, o objetivo desse meu texto é JUNTAR e não separar. Mesmo sabendo que Adão e Eva jamais existiram da forma como é contado na Bíblia, percebemos que o raciocínio desses Profetas não estava de todo errado. De fato, surgimos de um ÚNICO casal, todos nós, Homo sapiens, assim como uma nova variedade de batata surge do cruzamento de dois parentais diferentes.

Tudo tem um início! Até quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, já foi provado! A galinha é uma espécie, Gallus gallus, que veio do cruzamento de duas outras espécies e assim se provou que quem veio primeiro foi o OVO. Percebem como o raciocínio dos nossos antepassados não estava errado? Só não tinham conhecimento suficiente para saber que viemos de animais menos desenvolvidos, que não nascemos como somos, mas O FATO é imutável. SURGIMOS DE ALGUM LUGAR, EM ALGUM INÍCIO. E assim aconteceu com tudo o que existe, e para cada explicação bíblica, temos uma científica na qual o processo é diferente, mas o fato original é o mesmo. Quer ver só?

Vamos entrar no assunto que dá título a esse texto: SÍNDROMES. Se partirmos da idéia que o Arquivo 1 nos dá sobre sentimentos, não há como negar que foram ELES que mudaram nossa história e nossa maneira de viver. Se são divinos ou não, pouco importa. O FATO É: Eles existiram, existem e existirão, e mudaram, mudam e muradão nossa forma de viver. Como prometido no Arquivo 1, introduzirei o que penso sobre essas SÍNDROMES e como elas surgem ao excesso de nossos instintos.

Nossos sentimentos não só evoluíram de instintos “bons”, como também puderam evoluir de instintos “ruins”. Cabe salientar que, aqui, “bom e ruim” são terminologias humanas, pouco interferindo na sistemática à qual esses fatores obedecem. Mas o que eram os SETE PECADOS CAPITAIS, por exemplo? Se queremos entremear religião e ciência, é possível encontrar um “laço” em comum entre isso e aquilo? Acredito que sim.

Analisando os Sete Pecados Capitais, reparem: são sempre EXCESSOS que, pela análise JÁ crítica dos nossos antepassados, eram responsáveis pela “desgraça humana”. Cair em desgraça, cientificamente, seria algo não-muito-seletivo. Ninguém quer casar e ter filhos com um homem ou mulher que “caiu em desgraça”. Portanto, em uma simples regra de três, PECADOS são SÍNDROMES. E se os Sentimentos são APRIMORAÇÕES, as Síndromes são EXCESSOS dos nossos próprios instintos, dilacerações que arrebentaram-se do cerne equilibrado e criaram um ambiente de inconstância, uma forma de CRIAR um obstáculo invisível (já que os visíveis já não nos incomodavam) para uma espécie que, apesar de dominante, PRECISAVA CONTINUAR EVOLUINDO.

Veja como faz sentido se realmente analisarmos cada pecado:

GULA:- comer mais do que se precisa. Evolutivamente explicável, já que adquirimos genes que nos faziam comer mais do que a fome permitia, assim teríamos energia “sobrando ” para quando nos deparássemos com situações de risco (como energia para a fuga). No entanto, esse “comer mais” tornou-se descontrolado e desnecessário, caracterizando uma SÍNDROME, um EXCESSO, algo egoísta. Muitos PROBLEMAS DE SAÚDE, como diabetes e colesterol, vieram desse descontrole.
INVEJA:- querer o que é dos outros. Evolutivamente, querer o que ainda não se tinha era uma forma de conquista. Nunca nos dávamos por satisfeitos com o que tínhamos, e isso nos tornava competitivos enquanto indivíduos lutando pela sobrevivência. Querer uma lança afiada como a do companheiro era uma forma evolutiva de fazer com que mexêssemos nossos membros para termos lanças sempre cada vez melhores e caçar com cada vez mais eficiência (evoluir)... Mas a Inveja vai além. Ela cai num desequilíbrio que não significa apenas tentar superar, mas também REBAIXAR, se preciso. Um EXCESSO, uma SÍNDROME. Daqui surgiu a TRAPAÇA e a DESONESTIDADE.
GANÂNCIA:- querer o máximo possível. Evolutivamente, ter o máximo de coisas de um mesmo tipo é ter poder. Aos nossos ancestrais, os que tinham muita comida guardada não precisavam se preocupar com invernos rigorosos, secas ou pragas. Ter muitas roupas criava a possibilidade de troca, ao mesmo tempo que posicionava alguém acima ou abaixo de outrém. A Ganância é o cúmulo disso. Ela faz com que se acumule até o inacumulável, a ponto de criar tanta sanha pelo quantidade que a utilização daquilo pouco importaria. Mais um anti-senso, mais uma SÍNDROME. Daqui surgiu o ROUBO e a CLEPTOMANIA, por exemplo.
IRA:- perder a razão. Isso existe desde muito antes de qualquer comportamento humano, era instintivo e costumava ser evolutivamente útil. Perder a razão muitas vezes era tudo o que nossos “mili-avós” precisavam para ganhar uma luta ou matar um javali, uma explosão que vinha e logo depois ia embora. Mas a Ira vem como a parte inútil desse instinto, que é a maldade e o abuso. A Ira tornou-se um comportamento agressivo e duradouro, algo não só explosivo como corrosivo. Um EXCESSO perigoso e anti-social. Podemos enquadrar aqui os HOMICÍDIOS, a VINGANÇA e o ÓDIO.
VAIDADE:- destacar-se acima dos demais. Nada mais evolutivo que a necessidade de APARECER. Um exemplo clássico: o pavão. Assim como o pavão, nossa espécie redesenhou seu próprio destino selecionando o que havia de MELHOR em cada um de nós, para que fosse escolhido (trabalho das fêmeas) e passado adiante. Mas é claro que isso era genético e para tanto, os apetrechos eram físicos ou emocionais. A Vaidade não tem nada de genético. Trata-se de uma extrapolação da necessidade de ser selecionado, é um desequilíbrio que fez com que a humanidade desse real valor ao que pudesse ser ESCONDIDO, ao invés de mostrado. A Vaidade é a necessidade de, inversamente à sua origem, aparentar algo que NÃO SOMOS, um total desequilíbrio. Surgiu a moda ditatória, a ANOREXIA, a BULIMIA e a DISMORFIA CORPORAL.
PREGUIÇA:- realizar o mínimo de esforço. Extremamente positivo se pensarmos nos caminhos evolutivos que tomamos. Para os Homo erectus, quem menos se mexia, mais energia tinha, mais chances tinha de sobreviver à uma epidemia ou coisa do tipo. Quem se mexia mais, encontrava mais chance de se machucar (infecções), se perder, ser visto e predado, etc... A Preguiça vem como a sobredose da idéia de se poupar energia e criou a idéia de NÃO SE GASTAR ENERGIA. A Preguiça nos torna indiferentes ao que acontece ao nosso redor e conformados com todas as situações. Nos torna incapazes de agir e de continuar criando mudanças. Uma síndrome em uma espécie que não precisa mais se desenvolver para sobreviver. Daqui surgiram a DEPRESSÃO e o ÓSCIO.
LUXÚRIA:- apetite sexual sem períodos. Esse foi o grande trunfo reprodutivo da humanidade. Enquanto os outros animais esperavam pelo cio das fêmeas e pelo período fértil dos machos, nós aprendemos que fazer sexo era “gostoso” e tornou-se geneticamente possível a qualquer instante, e isso nos incentivava a ter mais e mais filhos, povoando o mundo de seres humanos. A LUXÚRIA é o descontrole desse instinto. É a NECESSIDADE de ser fazer sexo, é o SEXO acima da consciência, da dignidade e do respeito. Dessa síndrome, surgiram o ESTUPRO, a PEDOFILIA, o ABORTO e as ABERRAÇÕES SEXUAIS.


Observem a quantidade de disfunções que esses “pecados” trouxeram à nossa espécie! Como uma coloração preta na pele, tornamo-nos mais frágeis com tais síndromes. E não para por aí, se combinarmos esses “pecados” entre eles, teremos muito mais cataclismas. A obesidade surge da GULA e da PREGUIÇA em conjunto. A GANÂNCIA e a INVEJA criaram os abismos sociais. Quantas outras disfunções evolutivas você pode criar a partir desses “Sete Pecados”? Viu como nem sempre a religião e a ciência devem ficar apartadas? Aliás, NUNCA DEVEM, pois a religião é uma forma de interpretar os fatos que muitas vezes podem nos ajudar a entender o porquê de certos comportamentos. Temos lutado contra essas síndromes por milhares de anos, o que não é NADA se pensarmos no tempo que leva a evolução para destruir genes como esse. Mas veja como nossos ancestrais já os abominavam? De uma forma religiosa, eles seguiram os passos corretos: CONDENARAM OS PECADOS, tentaram colaborar para que esses excessos fossem exterminados. Daí criamos a ciência que tudo explica, e a colocamos à serviço do DINHEIRO, que nada mais é que um delírio da GANÂNCIA. E aquilo que JESUS sempre tentou destruir, que é o EGOÍSMO presente em cada uma dessas síndromes, continua livre e solto entre os genes de nossa população, pois adquirimos o péssimo hábito de “não nos envolver”, porque somos INTELECTUAIS DEMAIS para acreditar em Jesus e em sua luta contra esse egoísmo nojento.

Mais deixemos Jesus e o Novo Testamento para um arquivo ESPECIAL (Arquivo 5). Por hoje, ficaria feliz e satisfeito em saber que ao menos UM ateu olhará a Bíblia com olhos menos céticos e ao menos UM crente olhará a Evolução com olhos menos ignorantes. Não precisamos e não DEVEMOS separar religião de ciência se estamos mesmo preocupados em COMPREENDER O UNIVERSO. Tudo faz parte de um processo e se as Igrejas erraram a Ciência também errou. Taí algo que de fato temos que entender, pois ambas estão sob o poder humano e, se somos críticos e livre-pensadores, devemos nos conformar com o fato de que somos uma espécie em desequilíbrio e dada às síndromes tão frágil e distraidamente como as lagartas curuquerês (Arquivo 1), que mudam de cor e sequer sabem o porquê. Por hora, usaria um exemplo bastante religioso, mas que, nesse momento, faz muito sentido pra mim: ESTAMOS VIVENDO EM PECADO.

domingo, 2 de novembro de 2008

Arquivo 2 -- Sentimento: O degrau da Ascensão

“A origem molecular do que somos é simples. A progressão, a organização e a perfeição no arranjamento dessas origens é que são complicadas.”



Esse é o Princípio da EXISTÊNCIA. Ou pelo menos, da existência de TUDO aquilo que conhecemos, e que se enquadra dentro dos nossos padrões de realidade e racionalidade. A EXISTÊNCIA nada mais é que a ORGANIZAÇÃO (ora simples, ora complicada) de pré-fatores que, no seu íntimo mais íntimo, são idênticos e imutáveis: ENERGIA.

Se fizermos o “rebubinar” da origem de uma vida humana em um passo-a-passo conjectural, desceremos a seguinte cascata: Um ser humano é um conjunto de ÓRGÃOS. Órgãos são TECIDOS modificados. Tecidos são CÉLULAS diferenciadas. Células são ORGANELAS, que são PROTEÍNAS, que são MOLÉCULAS, que são ÁTOMOS, que são E-N-E-R-G-I-A.

Faça o mesmo rebubinar com qualquer coisa que exista. À exemplo, usemos uma PEDRA, que é uma formação de ROCHA, que é um conjunto de MINÉRIOS, que são um arranjo de MOLÉCULAS, que, no fim, serão também ÁTOMOS e E-N-E-R-G-I-A.

O que define todo o tipo de relação interbiológica é a MANEIRA SOFISTICADA em que essa energia se organiza. Promovendo nosso pensamento a níveis mais acima, a organização MOLECULAR é o que corrobora para com a complexidade da VIDA. Moléculas podem se organizar epistaticamente, formando estruturas complexas, como o DNA, RNA, ribossomos e mitocôndrias. Essas estruturas promovem a produção de proteínas, enzimas e outros pré-requisitos básicos para o funcionamento da BIO-MÁQUINA. Como uma construção civil, cada célula de um corpo vivo possui seus operários, trabalhando ininterruptamente na construção de estruturas simples, que se juntam para formar outras mais complexas, a partir de matéria-prima básica. Agem assim como faz um operário ao imendar ferro em ferro, amalgamar cimento e água, empilhar tijolos e trançar vigas...

Entremeando o raciocínio, se toda a estrutura vital é a MESMA, como poderíamos nós, seres humanos, termos tomado uma via evolutiva tão distinta? Somos o que há de mais sofisticado no que diz respeito à biologia conhecível e somos os únicos seres vivos (conhecidos) capazes de ter esse senso crítico e conhecimento construtivista. POR QUE somos os únicos, e por que chegamos até isso sozinhos?

Partindo da premissa comunal, somos carne e osso. Temos os mesmos estratagemas vitais que nossos parentes mamíferos, tais como coração de 4 cavidades, dois pulmões que filtram o ar que respiramos e dão ao sangue oxigênio. Temos rins, fígado, glândulas mamárias, pênis e vagina, espermatozóides e óvulos... Nada disso parece muito diferente ao compararmos um ser humano e um leão. No entanto, somos fenotipicamente diferentes, o que nos leva a crer que alguns genes não estão em conformidade. Mas se pensarmos um pouco mais, saindo pela tangente diferencial, temos curiosidade, memória, inteligência, raciocínio lógico, criatividade, senso de descoberta, inconformismo intelectual, pensamento clínico e crítico... Isso tudo está, como já sabido, ligado a um único sistema de nossa formação. O SISTEMA NERVOSO. Nosso cérebro é a fonte de quase toda a diferença que nos transforma em seres dominantes, racionais e controladores (?) do ambiente em que vivemos. Se nosso fenótipo denuncia diferença e nossos comportamentos também, concluímos que o ambiente, em conjunto com o genótipo de nossa espécie, trouxe a grande cisão existencial da MENTE HUMANA.

Vamos entrar um pouco mais no mérito neurológico da questão. Um cérebro de um leão macho é composto de mecanismos complexos, evolutivamente selecionados para padrões simples de sobrevivência: PROTEGER A PRÓPRIA VIDA, PROTEGER A PROLE, PROTEGER O BANDO, ESPALHAR A MAIOR QUANTIDADE POSSÍVEL DE SEUS GENES ACASALANDO COM O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE FÊMEAS. Para as fêmeas: PROTEGER A PRÓPRIA VIDA, PROTEGER A PROLE, ALIMENTAR O BANDO, SELECIONAR OS MELHORES MACHOS (após batalha) E DAR-LHES A MAIOR QUANTIDADE DE SEUS GENES, ACASALANDO-SE SEMPRE COM OS MAIS FORTES. O macho é o fator QUANTITATIVO e a fêmea, QUALITATIVO. O macho espalha seus genes, a fêmea seleciona os melhores genes. Desse modo, é fácil perceber que sem esse tipo de “pensamento”, os leões estariam extintos hoje (pense nisso).

Chamamos isso de INSTINTO, mas de onde vieram? Instintos são grupos de SENSAÇÕES que evoluíram a partir dos SENTIDOS (visão, audição, paladar, tato e olfato). Todos os sentidos de um leão corroboram para a sua sobrevivência. Ele pode escutar o perigo chegando e fugir. Pode cheirar a presa e preparar o ataque. Pode correr e agarrar uma vítima, pode degustar sua carne e obter energia para sobreviver por mais um dia. Pode sentir o odor do cio da fêmea... Mas sentidos por sentidos não definem COMPORTAMENTOS. É preciso que esses sentidos, assim como cimento e água formam a massa, se juntem em estruturas mais complexas e definam uma terceira função: SENSAÇÕES. Quando o cheiro do cio de uma fêmea alcança o olfato de um leão macho, seu organismo responde enviando sinais ao cérebro que provocam no leão uma SENSAÇÃO. A resposta física e externa à essa efervescência química cerebral é o sinal de resposta para que ele tome uma atitude. INSTINTO. A fêmea, quando tem seus bebês, pode entendê-los através de seus ruídos. Quando a fêmea escuta seu filhote chorar em tom de alerta, de maneira similar, porém por mecanismos diferentes, seu organismo também responde enviando sinais ao cérebro que provocam na leoa uma SENSAÇÃO. Novamente, a resposta física e externa à essa efervescência química cerebral é o sinal de resposta para que ela tome uma atitude: INSTINTO.

Quando falamos de seres humanos, todo esse processo e outros processos similares são mimetisticamente observados. O instinto materno continua presente e o apetite sexual continua valendo para excitar um homem da mesma forma que acontecia na época das cavernas. O instinto de fuga, o apetite sexual em prol da reprodução, o medo da morte, a fome como instigadora da busca por nutrientes e energia, o cansaço físico e todos os prelúdios de sobrevivência se mantém. Todavia, ainda encontramos aqui e ali certas diferenças que saltam aos olhos. Indecorosamente, alguns dos nossos instintos foram extrapolados para toda uma vida, excessos que não são tão compreensíveis do ponto de vista EVOLUTIVO, mas têm uma origem identificável. Para o instinto materno, que deveria servir ao propósito de proteger um filho enquanto ele ainda dependesse de sua mãe para sobreviver, temos o AMOR materno, que não deixa a mente de nossas mães mesmo quando estão próximas da morte. Para o instinto sexual, que deveria cuidar de reabastecer nossa contagem de indivíduos de forma competitiva em nosso habitat, temos o DESEJO sexual, que muito pouco tem a ver com procriação (tente introduzir aqui um pensamento do porquê usamos CAMISINHA). Para a necessidade de nos alimentarmos a fim de manter nossos níveis glicêmicos e protéicos em conformidade com nossas demandas, temos a GULA pela comida, que é responsável por muitas doenças extremamente anti-evolutivas, como diabetes, obesidade, trigliceres e colesterol. Todas esses EXCESSOS vão além da compreensão evolutiva dos INSTINTOS, e cabem a eles um nome que denote um itinerário terminando em erro, como uma engrenagem que foi polida demais e espanou: SÍNDROME DO INSTABILIDADE POPULACIONAL (Arquivo 4).

Vamos deixar o papo da Síndrome para o Arquivo 4, e vamos falar do que viemos falar, em específico. SENTIMENTOS. Alguns poderiam pensar que sentimentos também são excessos e que poderíam ser encaixados como SÍNDROMES, já que não existe qualquer razão evolutiva para ficarmos com o mesmo parceiro durante toda a vida, cuidar de nossos filhos quando eles não precisam mais de nossos cuidados, mandar flores no Dia das Mães ou mesmo comprar celulares nas promoções de Dia dos Pais.

O que me faz rejeitar a hipótese de que os Sentimentos sejam SÍNDROMES DE INSTABILIDADE é a forma totalmente dominante no qual eles agem em nosso organismo. Muitas vezes são SIM instáveis e nos fazem cometer loucuras, o que poderia me levar a crer que esses sentimentos, um dia, foram síndromes. No entanto, quem poderia negar aquele sentimento forte e gostoso de saudades quando estamos longe de nossos familiares? Quem poderia dizer que aquele filme romântico lhe deu um frio no estômago por obra de um acaso ou de uma mera sensação? Por que começamos a cantar e por que as músicas, que falam tanto de sentimentos, nos tocam tão profundamente? Por que amamos? Por que nos mantemos conectados?

Acredito que para todo o COMPORTAMENTO, existe uma explicação evolutiva. Enquanto as SÍNDROMES são negativas e tentam nos prejudicar, colocando nossa espécie novamente em equilíbrio (ver comentário sobre o curuquerê, Arquivo 1), os SENTIMENTOS são a contra-mão. Têm a mesma origem, mas estão na direção oposta. O excesso de um sentimento poderia ser uma síndrome assim como uma dose alta de adrenalina no sangue poderia ser mortal, ao invés de prazerosa. O ponto no qual gostaria de chegar é: OS SENTIMENTOS PROMOVEM, HOJE, O CAMINHO DE NOSSA EVOLUÇÃO. São nos SENTIMENTOS que nos diferenciamos dos leões! Foi por AMAR seus filhos que nossos antepassados resolveram construir casas para morar, ao invés de serem nômades, afinal de contas, o caminhar apresentava muitos perigos e eles não queriam perder sua esposa e filhos nessa empreitada. Foi por AMOR que pararam de caçar para criar os próprios animais, pois cada caça era um perigo de morte contra o desejo que tinham de voltar pra casa e ver sua família no final do dia. Deixaram de coletar para plantar, pois assim não precisariam abandonar seu novo lar. Imagine quantas mudanças esses sentimentos nos obrigaram a trazer à tona? Ao juntarmos isso à nossa capacidade de memória, criatividade, curiosidade, auto-crítica, lógica e raciocínio de procedimento, percebemos que fomos evoluíndo nessa linha adversa como peixes que nadam contra a correnteza.

Colocando em termos simples, gosto sempre de criar uma LINHA de pensamento. E aqui vai uma tentativa. Enquanto os leões (nosso exemplo de comparação) seguiram uma evolução neural que segue a linha: SENTIDOS – SENSAÇÕES – INSTINTOS, nós, seres humanos, fomos um pouco além, e esse passo a mais foi o passo da grande escapada: SENTIDOS – SENSAÇÕES – INSTINTOS – SENTIMENTOS. Tudo o que fazemos que nos diferencia dos nossos mais próximos parentes evolutivos, está direta ou indiretamente ligado a um SENTIMENTO. Parem pra pensar. Pensem em tudo o que somos e o motivo mais cabível pelo qual somos dessa maneira... Não chegou a algum sentimento? Aposto que sim.

Pensando um pouco mais empiricamente, acredito que os Sentimentos não sejam uma Síndrome porque nos UNEM e nos fazem cada vez mais INTER-DEPENDENTES. O egoísmo tornou-se uma resposta ou um reflexo para essa dependência, mas trata-se também de uma reação brusca que é natural ao se ter uma ação igualmente brusca. Os excessos, que são as síndromes, são os PECADOS CAPITAIS que a Bíblia tanto fala, e que são tão mal-interpretados. Não passam de grandes reações às ações impactantes dos sentimentos. Excessos, quebras, aberrações... Essas síndromes são nossos pontos mais fracos, o desequilíbrio criado em busca de uma maneira de se re-equilíbrar o sistema. Um balanço. O chamado ao “predador” (Arquivo 3).

Sentimentos são “processos” (vamos chamar assim) que nos colocam a mercê de nós mesmos. São duradouros e determinantes em nossas decisões. São inspiração e desastre, impulso e desânimo, alegria e depressão. Mas são acontecimentos que nos tocam de uma forma quase mágica, que só não é realmente MÁGICA porque conhecemos a ciência dos fatos. Mas, mesmo assim, são esses sentimentos que nos unem em um mesmo cerne em qualquer parte do mundo. São eles que nos colocam iguais como espécie, independentemente das síndromes que nos colocam escravos do DINHEIRO e de seu pseudo-PODER. E, quando estudamos, sabemos que todos os organismos vivos evoluem para a SIMBIOSE, que nada mais é que, segundo o Wikipédia, “uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos”. Não seriam, então, os sentimentos, uma forma de evoluírmos para a SIMBIOSE? Afinal de contas, todos já estamos percebendo isso. Está na mídia, nas religiões, nas filosofias, até mesmo nas gangues mais perigosas! Está acontecendo em todo o lugar e posso reforçar minha teoria, exemplicar o que eu disse e fechar o raciocínio, com nada mais nada menos que essa citação de um episódio de Heroes, algo da mais fina video-literatura popular: “We are all conected”.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Arquivo 1 -- Ascensão, Auge e Declínio

Muito pouco do que pensamos torna-se realmente capaz de ser imutável. Determinância de pensamento é algo raro hoje em dia, mas pouca gente percebe isso. Na verdade, poucos de nós percebemos tanta coisa, mas TANTA coisa, que os fatos tornaram-se vítimas do acaso, e o acaso tornou-se um devorador de evidências. É complicado ler um livro de Jared Diamond e cair na real de que caminhamos, TODOS OS DIAS, alguns passos para trás. Nossos ancestrais travaram uma guerra contra o tempo e contra o conformismo, para nos trazer até aqui... Nosso processo seletivo e nosso ambiente trabalharam JUNTOS para dar sucesso reprodutivo a mulheres e homens capazes de ter CURIOSIDADE, MEMÓRIA, RACIOCÍNIO e SENTIMENTOS (o mais importante - arquivo 2)... E nós, como vamos indo?
Evoluímos. E, numa sequencial seleção, os modelos cerebrais foram favorecidos pelo processo Darwiniano e perpetuados via Mendelianismo. Matemática e Biologia, como pode dar certo? Chamamos isso de “código” e demos a ele um nome gerador: GENÉTICO. Fomos mais adentro e lá encontramos uma porção de pequenas moléculas que se juntam randomicamente para compôr o que somos, e nomeamos o conjunto com uma sigla bonitinha: DNA.
Evoluímos nossa mente até a Consciência (que é a junta de tudo o que somos mentalmente) para que nunca houvessem dúvidas quietas e sem resposta. Daí, que quando começamos a pensar livremente, surge uma coisa chamada Ciência, que serviria de alguma forma para nos dar capacidade de organizar nossas descobertas e deixá-las disponíveis para que pudéssemos descobrir outras coisas, e somar ao que já temos. SOMAR era o propósito. O limite, segundo Shakespeare, iria além de uma Filosofia que pudesse se compreender entre o Céu e a Terra, mais tarde, Universo.

E por aí vai a Ciência, grampeando matemática, biologia, história e lógica. E vindo de encontro ao que nossa Ciência poderia esperar, chegamos ao auge do que somos. Domínio, topo da cadeia alimentar, controle, poder e glória. Mas, vindo de ré ao que não poderíamos esperar, tudo o que chega ao auge perde o equilíbrio. O Egoísmo (nisso se resumem os Sete Pecados Capitais - arquivo 3) nos faz perder o nosso equilíbrio, para dar vazão à uma queda-livre de subsistência. O curuquerê, uma lagartinha verde que se CAMUFLA e come as folhas de tudo o que se possa imaginar, quando chega ao AUGE de sua população, torna-se PRETA. Dessa forma, pode ser vista pelos pássaros e predada, EQUILIBRANDO assim, no declínio após o auge, o sistema em que se encontra.

Nossa espécie deve também obedecer um equilíbrio, por mais poder que tenhamos, não podemos conter o EQUILÍBRIO da Natureza. E é simples, pois o mesmo mecanismo que nos fez chegar até onde chegamos, é o mecanismo que nos fará declinar. Como tudo que é corporativo, nossa Ciência tornou-se ditatória e esqueceu-se da premissa da qual nossos antepassados ignorantes partiram, de livre-pensamento e livre-observação. Foi-se o tempo da Ciranda da Ciência à Serviço da Vida! Ciência à Serviço do que pode COMPRAR a Vida e a Morte. Éramos verdes, tornamo-nos NEGROS! Perdemos campo e mentes brilhantes para grandes corporações. Perdemos conhecimento para o Progresso e perdemos o direito de achar que o ACASO é um fardo que já tínhamos deixado para trás a muito tempo. Agora, o acaso é o escudo da ignorância, o catalizador da prepotência dos grandes “conhecedores” da Ciência, o calcanhar de Aquiles do próprio Deus (ou deuses, como queiram), a colônia sofisticada dos grandes pensadores, que só fazem “posicionar-se” para isso e para aquilo. Enfim, o anfitrião do EGOÍSMO.

A humanidade “d”evoluiu para uma séria Síndrome de Domesticação: ESSE EGOÍSMO que desenvolvemos tornou-se nosso chamariz aos “predadores”! Ele nos cega para o que não vem de nós mesmos, pois torna-se difícil acreditar que uma pessoa tem a capacidade de fazer algo que eu não tenha... Qualquer diversidade vira bizarrice e qualquer bizarrice vira preconceito. Eliminamos a diversidade, destruímos a Ciência de VERDADE, zombamos das novidades e usamos o que para isso? O acaso! O MALDITO ACASO! E onde ficam os Crossing Over’s? Onde fica a nossa capacidade de CRIAR diversidade, somos seres sexuados e não-autógamos! Esquecemos que nossos genes podem CRIAR diferença a cada nova geração de F’s! Esquecemos que o ACASO é a própria ignorância e que o sensacionalismo vem da mídia, e não de estudos científicos. Esquecemos o que foi feito de Galilei, Mendel, Mozart, Jesus Cristo e Chico Xavier... Esquecemos que Joanna D’Arc morreu queimada sem ser questionada sobre seus sonhos reveladores, e que os Incas foram dizimados antes de terem a chance de explicar o que são as linhas de Nazca. Acreditamos que duas Torres enormes ruíram sussessivamente após serem alvo de dois aviões, e nada foi feito para impedí-los. QUE CIÊNCIA ESTAMOS CRIANDO? Em que mãos está o CONHECIMENTO? É nessa Ciência que estamos evoluíndo? A Ciência corporativa e/ou religiosa, que CALA, que CEGA, que ENSURDECE e que ESCONDE?
Nossos GÊNIOS têm um preço, nosso conhecimento é PRIVADO e somos controlados por isso. Nosso poder de CURIOSIDADE, de CRIATIVIDADE, de DISCERNIMENTO e de RACIOCÍNIO está sendo comprado e deixado para apodrecer pela própria Tecnologia, que a nossa “Ciência” cria e recria todos os dias, sem pular um sequer. Um exemplo: Alguém aí ainda usa papel e caneta pra fazer uma divisão? Nossos filhos têm calculadoras e computadores na lista de materiais, pra que criatividade, curiosidade, raciocínio e discernimento, se nossa Ciência pode proporcionar o que queremos, rápido e facilmente?
Sim, amigos, o equilíbrio se abalou e, dia após dia, estamos enegrecendo.